Ham, o Flautista

Se notas músicas falassem, clamariam o nome de Ham

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Bio:

Primeira Temporada -

Na pequena vila de Ham, uma prostitua deu a luz a uma criança. Nas ruelas da cidade, ela vagou, desamparada, sangrando… morrendo. À luz das estrelas ela procurou insistentemente um local para deixar a criança, um local onde ele, o bebê, pudesse sobreviver.

De joelhos, movendo-se lentamente, ela desabou no meio da rua, falecendo. Os gritos do bebê, por mais que incomodassem, chamaram a atenção de um homem, um bêbado que transitava no local o encontrou e, vendo uma oportunidade de ter um escravo que se fizesse útil, levou-o, deixando o corpo da pobre mulher para os corvos.

Crescendo abusado pela repugnância e egoismo do “pai”, Ham nunca soube sua origem. Acostumado a ir para as feiras da cidade, ele tinha uma relação íntima com sua vila, conhecendo cada via e acesso escondido.

Foi quando voltava da feira por um desses acessos, que Ham conheceu O Flautista. Ele tocava uma música lúgubre e escura, que soltava notas espaçadas e tristes. Ham parou para olhar, nunca havia visto nada parecido, o movimento das notas no ar, o ritmo bruxuleante das cores que passavam pelo seu rosto, acariciando sua pele. Era acalentador.

O Flautista o chamou, perguntou-lhe se já havia tocado algo. O garoto não respondeu, nunca respondera uma pergunta na vida, ou sequer ouvira o som de sua voz, não sabia se ela lembrava uma garota, ou se era grossa como a de um homem feito. Não que não quisesse falar, apenas não conseguia, Nem mesmo chorar, não mais.

Audaciosamente Ham estendeu a mão e tomou a flauta para seus lábios, onde uma nota que lembrava um pio de pássaro saiu do instrumento, assustando-o.

O Flautista riu, dizendo que ele acabaria chamando um estorninho dessa forma. Se quisesse, poderia ficar com a flauta, mas teria de se esforçar para aprender, para que pudesse falar através da flauta. Ham assentiu, olhando para o instrumento em sua mão; Virando-se para agradecer, percebeu que o flautista não estava mais lá, que havia sumido, deixando as roupas no local, como que evaporado.

O seu pai piorou após esse episódio, se tornando cada vez mais violento e sádico, chegando a quebrar o braço do garoto certa vez. Num progressão que eventualmente faria o garoto ser morto. Quando esse momento chegou, Ham correu para sua flauta, seu pai avançando contra ele com um cutelo de açougue.

Ele sempre dirá que foi sem querer, que não queria ter feito o que fez, que não pretendia. Mas a realidade é que ele não fez NADA. Ele sentia o som ameaçador dos passos de seu pai se aproximarem, uma cor negra emanando das botas de caça, QUando ele imaginou que já não haveria como escapar. Tupo parou.

Seu pai não estava mais lá, havia sumido como o vento que passava pela porta. Ao longe, Ham ainda podia ouvir o som de uma flauta se distanciando.

Anos se passaram; Ham passou a viver nas ruas da sua cidadezinha, assistindo a vida de todos os habitantes da vila. Então vieram os ratos. Eles começaram a infestar a cidade, comer os silos de grãos, disseminar uma praga na população.

Não havia mais o que fazer, a cidade estava indo pro inferno e estava indo rápido. Uma recompensa seria dada a quem encontrasse uma solução para o problema da peste. Ham decidiu tentar, ele precisava da recompensa.

Ele começou a tocar, numa noite, uma nota curta e fina, verde como uma folha, como um chio de um camundongo. Ele repetiu a nota durante alguuns vezes, até que o primeiro rato apareceu, depois o outro, depois mais um, todos aqueles pelos sujos e molhados se aproximando de seu corpo o assustaram. Ele levantou-se, andando em direção à prefeitura da cidade, os ratos seguindo-o. Ele sorria, não acreditava no que estava fazendo, não acreditava que poderia fazer algo daquele jeito.

O prefeito gritou de felicidade, ordenando que aniquilassem todos os ratos e agradecendo a Ham imensamente, mas sem nenhuma pretensão de lhe dar nenhuma recompensa, o que uma criança faria com uma recompensa.

Ham não gostou disso. Sabia o prefeito que não se deve se contrariar uma criança?

Na noite seguinte, Ham tocou uma musica alegre, em tons de rosa e azul-claro, que flutuou entre as vielas e becos da cidade, chamando e clamando por todas as crianças e então elas vieram até ele, todas cantando e dançando ao som de sua notas cada vez mais fortes e rápidas.

Ele levou-as, levou-as até o porto, dançando e cantando dias a fio, semanas, atravessando as Terras do Reino até o Porto dos Primatas onde um barco partai com as crianças a vorodo rumo às Ilhas do Nunca. As crianças jamais foram vistas, ou sequer retornaram, se tornando Meninos Perdidos a serviço de Peter Pan.

Ham viveu o resto de sua vida até hoje nas ruelas das Ilhas do Nunca, servindo a Peter Pan como cavaleiro da guarda e ajudando a prender piratas, até que ele caiu nas desgraças de Barba Negra, que o prendeu por traição, mesmo que o rapaz não tivesse feito nada.

Foi assim que ele foi encontrado e resgatado, por um dos Sete, sem saber que esse não seria nem de longe o fim de sua joranada, apenas o começo de uma jornada mais longa ainda.

Ham, o Flautista

Se7e Yago Yago